Com críticas crescentes ao greenwashing e ao baixo impacto real, o ESG enfrenta uma crise de confiança que redefine investimentos éticos no mercado global.

Por Naskar
Publicado em 18/12/2025

Por mais de uma década, o ESG foi tratado como o futuro inevitável dos investimentos. Empresas correram para exibir selos verdes, fundos bilionários surgiram do dia para a noite e investidores acreditaram que estavam financiando um capitalismo mais consciente. Mas, nos últimos anos, a narrativa mudou. Não por falta de interesse social — e sim por desconfiança.

A pergunta agora não é mais “como investir em ESG?”, mas “o ESG funciona — ou só virou marketing?”.

A ascensão meteórica — e artificial — do ESG

Durante o boom inicial, praticamente qualquer empresa conseguia se enquadrar na categoria ESG. Bastava publicar um relatório colorido, prometer neutralidade de carbono até 2050 e adotar alguma política interna de diversidade. O mercado respondeu com entusiasmo: bilhões migraram para fundos supostamente sustentáveis, e gestoras transformaram o tema em produto.

Só que essa pressa criou um problema: a expansão do ESG veio antes da definição clara do que ele realmente representava.

O resultado?

Um rótulo elástico, interpretado de acordo com o interesse de cada instituição financeira.

Greenwashing: a rachadura que abriu o debate

O ponto de virada foi o aumento das denúncias de greenwashing. Investidores perceberam que muitas empresas que se diziam sustentáveis tinham poucas métricas reais para comprovar seus avanços. Relatórios eram vagos, metas eram arbitrárias e a transparência quase inexistente.

Alguns casos emblemáticos — inclusive investigações envolvendo grandes gestoras globais — levaram a um choque de realidade: o ESG estava sendo usado mais como ferramenta de reputação do que como transformação genuína.

O impacto foi direto: saídas recordes de fundos ESG em 2023 e 2024, revisões de critérios e um ceticismo crescente do mercado.

A politização sufocou o debate

Outro fator que prejudicou o ESG foi a sua politização. Em países como os Estados Unidos, investir de forma sustentável virou pauta partidária. Estados conservadores passaram a restringir fundos ESG, acusando-os de prejudicar setores tradicionais como petróleo e gás. Estados liberais reforçaram o movimento, criando regulações mais duras.

Essa disputa transformou um tema técnico — análise de riscos ambientais, sociais e de governança — em campo de batalha ideológico. E o investidor comum, no meio disso, ficou sem clareza.

Mas o ESG está realmente perdendo força?

Depende da métrica.
Os fundos rotulados como ESG estão, sim, perdendo tração. A fama de ferramenta de marketing, somada à pressão regulatória, desidrata parte dos produtos financeiros que antes eram a “promessa verde” do mercado.

Por outro lado, os princípios por trás do ESG nunca estiveram tão relevantes. Não porque são bonitos, mas porque são necessários:

  • Mudanças climáticas aumentam riscos operacionais e financeiros.
  • Questões de governança se tornaram críticas para evitar fraudes.
  • Problemas sociais impactam diretamente reputação e lucro de longo prazo.

Ou seja, o rótulo ESG está em crise — mas a lógica do investimento responsável está se tornando padrão, mesmo que não tenha mais esse nome.

O que vem depois do ESG?

O mercado parece caminhar para uma nova fase, mais técnica e menos publicitária:

  • Métricas claras e padronizadas, impostas por reguladores.
  • Foco em materialidade, priorizando o que realmente impacta o negócio.
  • Transparência mandatória, com auditorias e relatórios verificáveis.
  • Menos romantização e mais gestão de risco.

A nova geração de investimentos éticos pode até abandonar o termo “ESG”, mas não abandonará a necessidade de entender como fatores ambientais, sociais e de governança afetam os resultados financeiros.

Conclusão: rótulos cansam, fundamentos ficam

O ESG como tendência de marketing pode estar enfraquecendo — e talvez isso seja positivo. Mas a essência que o originou continua firme: investidores querem retornos sustentáveis no tempo, e empresas que ignoram riscos socioambientais tendem a pagar caro por isso.

No fim, o ESG não está desaparecendo.
Está amadurecendo — finalmente.

>